tempo, tempo, tempo mano velho

•agosto 28, 2009 • Deixe um comentário

Depois de tempos e tempos…

eis que ressurge um pequeno feixe de luz…ou conjunto de letras.

Mas palavras mais para explicar o depois do que o tempo. Por que o tempo aqui tem convergido.

Não quero mais sair sem partida.

Quero uma boa palavra de despedida e um consentimento de que posso voltar.

Na maioria das vezes sinto que o meu quarto vai ficando cada vez mais claro à media que escurece o dia, e projeto planos frustrados nas paredes, os amores são mais futuros amantes do que ousei acreditar em chico cantando em suave melodia. E apenas os escafandristas vieram explorar minha casa, meu quarto, minhas coisas, minha alma…desvãos.

Mas ninguém mandou chegar tão perto se era certo outro engano, coração cigano…João cantou assim, e eu nem ouvi.

O tempo é o presente, o agora.

O depois é mais tarde, tardio.

É depois que chega a tempestade ou o arco íris.  (Só ñ devia ter usado o pote de ouro.)

Ainda vou acordar chorando, rodando o apartamento com uma entrevista de Godard na mão.

E tanto, e sempre.

Mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na vida?
nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre
a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte.

Digo isso no tempo, mas quero ver chegar o depois.

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Luto

•outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

Eu estou aterrorizada com essas pessoas que se expõem demais em sites de relacionamentos. É um tal de eu sou legal, bonito(a) e popular que me dá calafrios. Eu nem sei mais o que é ser ‘normal’. São todos super heróis, super homens, mulheres maravilha… alter ego.

Tal como a procura doentia de um falecido. Mesmo que seja o primo do irmão do cunhado da vizinha da tia do avô da namorada do teu colega, vai estar no teu perfil, como nome ou sobrenome ‘LUTO’ e o status: ”fulano(a) vai com Deus.”

Isso é impostura, desrespeito

O discernimento morreu.

Estou de luto.



    • POEMA EM LINHA RETA
  • Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

    Álvaro de Campos

Suave

•setembro 19, 2008 • Deixe um comentário

Um perfume gostoso se espalhou pela cidade hoje. Chegou cedinho… ou seria tarde?

Chegou com o Sol, com seus raios para esquentar meu corpo. E com a Lua da noite passada. Friozinho, cheirinho bom…

Sem nenhuma presença. Mas estava bem próximo.

Dessas doces ilusões não busco um sabor nem medida.

Não vou procurar muito longe para não me perder tão fácil.


O que seria maldade?

Como seria um caminho sem volta?

Ainda não descobri.


” A janela tá aberta
A casa é sua, pode morar
Pode também morar
Os dias vão me mostrando o que sei
Mas não quero acreditar
Não tenho sentimentos nem hora
Agora nada mais importa
Se nada me acalmar
Nada mais vai importar”


Poemeu ouvindo Mombojó – Baú

Presente pra você

•setembro 11, 2008 • 1 Comentário

Há uma semana que não toma banho

Duas ou três que não escova os dentes

Há tempos não tem cabelos

Não veste mais roupas

Não calça sapatos ou sandálias, não veste os pés

Não cobre a cabeça nem escurece os olhos há muito

Este ser não se alimenta

Não bebe

Não se move nem comove

Esta pessoa não passeia por outros lugares

Não vai a praça como antes

Nem as festas como antes

Não se embriaga como antes

Seus amores são insaturados

Discussões não hão

Nem há lágrimas

Somente o nó que tentou engolir e não foi possível

Mas agora seu sorriso é alto

Seus olhos são crateras que devoram

Não tem inimigos. Os eliminou.

Dança pela noite em um breve embalo

Uma breve música

Não dá as cartas, mas sabe o jogo

Agora é leve

Com um pesar indescritível .

Poemeu ouvindo Mart’nália – chega

SEMANA DA PÁTRIA!

•setembro 8, 2008 • 1 Comentário

Post atrasado assim como o progresso do país.

Mas não, não vou fazer críticas hostis com texto melindroso me vestindo de pena e pesar já que nem patriota eu sou. Não sou mesmo, não aprendi a ser. Eu até teria uma chance se eu gostasse de futebol, mas como não suporto ver um bando de analfabeto chutando uma porra de uma bola escrota de merda por milhões de dólares, pra acabarem nem estudando e servir de exemplo para algumas crianças que nem entendem o que é um travesti. (Isto não se trata de uma crítica mergulhada em homofobia, trata-se de um fato.)

Eu também poderia ter me tornado patriota se além da minha mente, meu corpo fosse lascivo e libidinoso pra poder pintar a bandeira do Brasil e desfilar no carnaval. Porém sou totalmente fora do padrão e em Belém do Pará o carnaval perde para uma festa religiosa (a qual já estou pensando ‘se ou não se ‘ postar :]).

Eu poderia ter corrido muitos riscos para me tornar patriota. Poderia não ter visto muitas coisas ruins de perto, não ter um ponto de vista muito ácido e desrespeitoso. Mas não, eis que me faço “Gabrie – ela”…

E voltando á Pátria, a semana da pátria, eu prefiro plantar uma dúvida na mente alheia. Graças ao meu amigo Márcio e “Os Leões de Bagdá” (HQ) de uma breve discussão antes de dormir, a liberdade é dada ou conquistada?

Eu realmente não sei a resposta, eu não sei o que é liberdade. Não de não tê-la, mas de não conhecê-la de fato, de ser obrigada a votar… Enfim, posso apenas afirmar que a história prova que nossas conquistas não foram conquistas de fato, foram “presentes”.

A libertação dos escravos, a independência do Brasil, a proclamação da república, a adesão do Pará nos foram dadas e não conquistadas pela população.

Está tudo muito bem, está tudo muito bom. É somente o que posso supor.

E vai umas palavras do meu melhor amigo, o dicionário:

LIBERDADE (do Lat. Libertate)

s. f.,

Faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo ou deixando de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa;
gozo dos direitos do homem livre;
independência;
autonomia;
permissão;
ousadia;

(no pl. ) regalias;
(no pl. ) privilégios;
(no pl. ) imunidades.

– de consciência: direito de emitir opiniões religiosas e políticas que se julguem verdadeiras;
– de imprensa: direito concedido à publicação de algo sem necessidade de qualquer autorização ou censura prévia, mas sujeito à lei, em caso de abuso;
– individual: garantia que qualquer cidadão possui de não ser impedido de exercer e usufruir dos seus direitos, exceto em casos previstos por lei.

Vivia a Independência (com i maiúsculo) e tenha um bom dia!

“Engravidecida”

•setembro 6, 2008 • 1 Comentário
Tudo em minha vida acontece como em uma gestação.
Primeiro surge algo novo dentro de mim, algo sempre constante e se fazendo presente.
Aos poucos vai se tornando parte de minha parte que continua crescendo,além do corpo,maior que a alma e alado à esperança em boas possibilidades.
Sinto essas coisas sendo geradas, tomando forma e se movimentando através de calafrios, palpitações, gracejos, estremeços ou sorrisos.
Quero embalar meus sonhos em meu peito, alimentar e acalentar meus sentimentos.
Não pretendo mais chorar a dor de um aborto, de um novo mal gerado e nem de nada ruim que possa crescer em mim, agora que renasci e estive uns tempos em uma encubadora.
Vou crescer compassadamente, aprender a sorrir, dar os primeiros e cautelosos passos, conhecer novas palavras, observar o mundo que se apresenta e correr para o colo de quem me faz bem para que eu realmente esteja segura ao cuidar minuciosamente do que nasce em mim.

poemeu – ouvindo “Preta” ( Cordel do fogo encantado )